Pisos de áreas comuns e externas de condomínios devem ser antiderrapantes

 

Especificar pisos para as áreas comuns e externas de condomínios demanda análise de diferentes particularidades. Além de criar unidade estética entre os materiais empregados nos variados ambientes, o arquiteto deve optar por soluções que garantam a segurança e o conforto dos frequentadores. Com dezenas de opções disponíveis no mercado, o profissional deve indicar a mais pertinente a cada situação.

“Não há receita pronta para a combinação de produtos. Cabe ao arquiteto especificar um tipo de piso para as áreas externas que esteja de acordo com os utilizados na piscina e playground”, comenta o arquiteto Caio Pelisson, titular do escritório de Arquitetura & Design Caio Pelisson. Esse tipo de cuidado evita que os corredores de acesso ao interior do condomínio fiquem completamente destoantes dos espaços de lazer.

De acordo com Pelisson, a especificação dos pisos em condomínios deve considerar três áreas distintas: comuns, externas e garagens, sendo que o material indicado para um caso não será o mesmo utilizado nos demais. Entretanto, algumas propriedades se repetem em todas as situações. Por exemplo, independentemente do local, a solução empregada tem que ser antiderrapante. “Essa é a principal premissa”, destaca.

Para as áreas comuns, como o saguão de entrada ou hall do elevador, a escolha do produto precisa respeitar a sensibilidade visual das pessoas. Assim, superfícies muito brilhantes e que refletem a luz não são recomendadas, pois acabam causando desconforto em determinados grupos de pessoas. “Além disso, as opções mais claras tendem a sujar com maior facilidade, ainda mais considerando o alto tráfego nesses ambientes”, afirma o arquiteto Flavio Cunha Machado, diretor do escritório SET Arquitetura e Construções.

Os rodapés também pedem atenção no projeto das áreas comuns. “É interessante especificá-los com altura maior do que a convencional para proteger a parede contra choques de carrinhos de compras ou demais objetos. Outro cuidado é executá-los com materiais de alta resistência, como pedras”, diz Pelisson. Os tipos de pisos mais empregados atualmente nas áreas comuns são porcelanato, mármore, granito, entre outros.

Nos ambientes externos, é fundamental optar por solução com elevada resistência às intempéries, pois a superfície estará constantemente exposta aos ciclos de sol e chuva. Para evitar a criação de poças durante os períodos de precipitação, o projeto dos pisos tem que estar devidamente integrado ao de drenagem. “É fundamental prever o caimento adequado para que a água seja encaminhada para as grelhas”, exemplifica Machado.

Existem produtos para as áreas externas que podem auxiliar no escoamento dos volumes pluviais, como é o caso dos bloquetes de concreto intertravados. Material indicado pela prefeitura de São Paulo para execução de calçadas, a solução permite que a água seja absorvida e encaminhada diretamente aos lençóis freáticos. Esse tipo de piso é considerado sustentável justamente por evitar a impermeabilização do solo.

O paisagismo é outra variável que interfere diretamente na escolha dos pisos para as áreas externas. “Uma cor muito clara ao lado de área com terra não é indicada”, fala Pelisson. Além dos blocos intertravados, podem ser especificadas pedras naturais ou fulget. “A cerâmica também começa a ganhar espaço, porque a indústria vem desenvolvendo opções antiderrapantes e resistentes”, complementa Pelisson.

Por fim, nas garagens, o mais comum são os pisos industriais de concreto com algum tipo de acabamento, como a tinta epóxi. A estrutura alia a alta resistência do concreto para suportar as elevadas cargas dos automóveis com a proteção da camada protetora, que evita, por exemplo, o ataque do óleo ou gasolina, provenientes de vazamentos nos veículos. “Além do epóxi, alternativa de revestimento é o verniz impermeabilizante”, diz Pelisson.

Apesar de o cinza ser a cor mais utilizada nas garagens, os produtos que fazem o revestimento da superfície permitem que outras tonalidades sejam empregadas. No entanto, no caso de o arquiteto optar por cores diferentes, é preciso cuidado para que a tonalidade do piso não dificulte a visualização das linhas que demarcam o espaço das vagas. “Existem regras de cores que devem ser atendidas para evitar possíveis conflitos”, ressalta Pelisson.

Mesmo tomando todos os cuidados durante a etapa de projeto, imprevistos podem surgir após a instalação. “Alguns pisos antiderrapantes, dependendo do local onde estão, podem perder essa característica”, indica Machado. Essa situação pode ocorrer, por exemplo, perto de vegetação, devido à queda de flores, folhas ou até mesmo frutos. A sujeira acaba criando camada escorregadia caso a superfície não seja constantemente limpa.

“Em um edifício, foi instalado piso antiderrapante bastante caro. No entanto, as pessoas estavam tendo problemas e o material foi levado para análise. A verificação constatou que o problema era causado por aqueles coquinhos que caem de certas árvores. Eles criavam um tipo de óleo que deixava o caminho escorregadio. Por isso, em qualquer que seja o projeto, é preciso sempre considerar todos os possíveis agentes externos”, finaliza Machado.

 

Fonte: AEC Web

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